Lais de Guia - Entrevista a José Abreu

05-12-2017

Na edição especial evocativa do primeiro ano de mandato da Direcção Regional de Lisboa, "Lais de Guia" entrevistou o seu Presidente, José Abreu.

Perfil 

Casado, com 2 filhos e 2 netos. Natural do ex-Congo Belga, agora República Democrática do Congo, nascido em 7 de Outubro de 1949 e baptizado no dia 29 do mesmo mês. 

Viveu os primeiros 6 anos em África, seguindo-se sete anos na vila alentejana de Alter do Chão e até ser adulto na bela cidade de Tomar, altura em que, com a família, partiu para Lisboa. 

Passou fugazmente pelo Instituto Superior Técnico, donde seguiu para a guerra do ultramar, na Guiné. Regressado, foi profissionalmente um analista-programador de informática, encontrando-se actualmente reformado.

LdG: Obrigado José Abreu por aceitar participar na primeira entrevista do "Lais de Guia" em versão "edição especial". Comecemos por conhecer um pouco melhor o seu percurso escutista: como foi a aproximação ao Escutismo?

Só tive o primeiro contacto com o escutismo quando passei a residir em Tomar, através de companheiros de turma. Para a minha Mãe, recentemente viúva, o escutismo e o guidismo foram como tábua de salvação na educação dos 5 filhos - 2 meninas e 3 rapazes. Tinha 14 anos quando entrei, como explorador, para a Patrulha Castor no Agrupamento 44 de Tomar, dirigido nessa altura pelo Chefe Carlos Silva e posteriormente pelo saudoso Chefe Mário Marques de Andrade. Terminando a minha passagem por Tomar, com mais 7 escuteiros ajudámos a fundar a primeira equipa de caminheiros.

Anos mais tarde, em 1985, já casado e com 2 filhos, ouço, numa celebração na Igreja de Benfica, um pedido de voluntários para reiniciar o Agrupamento 57 de Benfica que se encontrava suspenso há alguns anos. Não consegui ficar insensível e, com a minha esposa e a minha irmã, juntamo-nos a um grupo de dirigentes do anterior Agrupamento, e decidimos abraçar mais esta aventura de boas memórias.

LdG: A transição para a FNA acontece em que momento? Que conhecimento tinha desta Associação e o que o levou até ela?

Em 2007, já não estava no activo no CNE. O nosso companheiro e sempre Lobito Trepado Marques, Presidente do Núcleo do Estoril, propõe-me a criação de um núcleo em Benfica. Mais uma aventura. Aceitei! Em 11 de Março desse ano, o núcleo de Benfica passou a existir de facto. Porém a Fraternidade de Nuno Álvares é uma realidade para mim, praticamente desde quando conheci o CNE em Tomar. Lembro-me bem, nesses tempos, de folhear a Flor de Lis e ler textos sobre a FNA. Nunca me esqueci. Até porque é curioso. A figura de Nuno Álvares Pereira (per)segue-me desde muito novo. No início dos anos 60, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, fora retomada, com uma peregrinação nacional, uma iniciativa para a sua canonização que não vingaria por causa da guerra no ultramar, mas será motivo para um amigo de infância me oferecer um livro sobre a vida de D. Nuno Álvares Pereira.

LdG: A FNA é hoje em dia muito diferente do que conheceu aquando da sua adesão?

O meu percurso na Fraternidade ainda é curto. Quando entrei, já se tinha iniciado um processo que iria proporcionar à FNA a capacidade de se tornar mais autónoma, mais aberta, mais comprometida, mais disponível ao serviço, mais activa, ou seja, mais adulta.

LdG: Quais são os principais desafios que se colocam na actualidade à FNA?

Há dois grandes desafios que antevejo: a saudade versus serviço e a expansão e o consequente crescimento. É compreensível a adesão ao movimento pela saudade. É saudável. São laços que nos unem. Porém, de pouco servirá ao próximo e à natureza que também nos é próxima, se não soubermos contribuir para a sua felicidade. É fundamental estarmos atentos ao que nos rodeia, empenhados e unidos para enfrentarmos essas realidades que por vezes passam bem junto de onde vivemos.

Entendendo-se por Expansão, o alargamento de número de núcleos e por Crescimento, o alargamento do número de associados, estamos a falar de alargamento de recursos humanos. Sem recursos não vamos longe. Pouco conseguimos fazer. É aqui que encontramos o desafio da Expansão e do Crescimento. Quanto mais formos, mais capacitados estamos para enfrentarmos os reptos do Serviço.

LdG: E como está a FNA na Região de Lisboa?

Está viva, está activa. Porém, há um ou outro núcleo que sofre com o decréscimo de associados. Temos aqui, a situação do Crescimento. É importante que, não só aqueles, mas todos os núcleos se motivem para "conquistarem" associados.

O desafio da Expansão também se impõe na nossa Região. Ainda há dias, no Kantakye, realçamos que essa é uma das mais importantes tarefas que temos em mão. Estamos a receber mais pedidos de informação sobre a FNA e isso é reflexo da maior visibilidade que a Associação está a ter. Temos a Portela, à porta e mais virão.

Gostava de salientar um aspecto. A meu ver, a Região de Lisboa está dividida em duas grandes áreas. Uma, composta pelo concelho de Lisboa mais os concelhos vizinhos e a outra, constituída pelos restantes concelhos da Diocese. Esta última é uma área bastante grande e um pouco afastada do centro, mas onde pressupomos que exista um bom potencial para criação de núcleos. Neste momento temos aí apenas o Núcleo da Lourinhã. A distância a que se encontra de Lisboa, fá-lo sentir-se um pouco afastado. Se queremos núcleos nesta área, teremos que trabalhar para lhes proporcionar maior aproximação e integração.

LdG: Estando o Escuteiro Adulto "alerta para Servir" como encara actualmente as oportunidades de intervenção prática da FNA no âmbito do voluntariado adulto?

O lema diz tudo: "alerta para Servir". Nem vislumbro outro caminho para a FNA. Não a uma FNA apática; virada para dentro; satisfazendo-se a si própria. Há todo um conjunto de necessidades, no mundo dos seres vivos, a precisarem de uma ajuda desinteressada e generosa. Sintamos a vida no contexto em que vivemos. Saciemos quem precisa. Procuremos solucionar as causas dessas necessidades. Estejamos ALERTA! Efectuemos SERVIÇO!

LdG: Dentro da mesma disponibilidade para Servir, considera útil e desejável o aprofundamento de relações com outras associações escutistas, em particular com o CNE? De que modo?

Claro que sim! É útil e é desejável. Mais que isso: é importante. Vejamos! Somos ou não associações que partilham do mesmo ideal? Já temos boas relações com associações de escuteiros e guias adultos. Não é o CNE como uma Mãe que nos ajudou a crescer e a tornarmo-nos adultos? Absolutamente! Porém, assim como uma Mãe e um Filho se devem respeitar, o mesmo deve suceder entre estas duas associações.

O Escuteiro Adulto, associado da FNA, deve saber respeitar o seu lugar sabendo que o apoio ao CNE não deve interferir na educação das crianças e jovens - que é próprio do animador -, cingindo-se a sua actuação na área da organização e gestão de meios e materiais para uma actividade que não a orientação das crianças.

Por outro lado, o CNE faz-se saber respeitar reconhecendo na FNA uma associação que lhe pode dar apoio de uma forma explícita e regulamentada que garanta o prestígio das duas comunidades e salvaguardando, principalmente, os interesses primordiais das crianças e reconhecendo que a FNA tem os seus próprios objectivos e que conta com cada seu associado por inteiro.

LdG: Prestes a fechar o primeiro ano de mandato como Presidente da Direcção Regional de Lisboa que balanço pode ser feito? Recordamos o lema da candidatura da actual equipa regional: "Impele a tua própria canoa"...

É verdade! Foi lema da nossa candidatura. Para nós, equipa regional, essa canoa indica a Região que pretendemos levar a bom porto. Significa, também, um apelo a cada núcleo para que pegue nos remos da sua canoa e a mantenha sempre em movimento.

Findo que está este primeiro ano de mandato, podemos afirmar que foi um ano intenso mas positivo. Foi o Acampamento Regional que se conseguiu levar a bom termo, graças a uma equipa alargada e empenhada, apesar do reduzido tempo para o preparar. Foi a implementação de um ritmo de formação na Região que irá permitir ter duas datas formativas por ano.

LdG: A Direcção Regional de Lisboa continua a apostar no órgão informativo "Lais de Guia". Este projecto continua a valer a pena?

Com certeza que sim! Com o nome de Lais de Guia ou outro, será sempre o órgão oficial da Região. É um importante veículo de informação/comunicação com os associados.

Agora, é natural que sintamos a necessidade de evoluir, de inovar. Que pretenda, para além de informativo, ser também formativo num leque variado de temas. Apraz-me bastante o desafio lançado pela actual equipa deste órgão. Creio que os associados irão apreciar este novo modelo destinado a dar outra visão da associação e, em especial, da Região de Lisboa e proporcionar um melhor conhecimento do que é ser-se ESCUTEIRO ADULTO.